O Ensaio em médio formato Gabriel Lucena
- Gabriel Moreira
- 6 de jun. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de jun. de 2019
Em minha primeira turma ministrando o Curso Avançado de Fotografia conheci melhor nosso aluno Gabriel Lucena, ex aluno do curso básico de fotografia e do curso de cinematografia. Logo em minha primeira aula, criticou o preço de um dos acessórios apresentados e voltou no encontro seguinte com um modelo digno da série Do it Yourself, feito com menos de R$20,00. Ficou conhecido na turma como garoto gambiarra e desde o primeiro contato com a Escola Criattiva, já demonstrava interesse pela fotografia analógica.
Mesmo com o término do curso, continuamos em contato. Sempre que podia, compartilhava algum conteúdo ou referência que achava interessante. Mas quando se trata de fotografia analógica, os papeis invertiam-se e virei um aluno atento à todas as informações. Lucena tornou-se minha principal fonte de pesquisa e ajudou a interessar-me mais pelo tema.
Ele me conta que seu interesse pela fotografia analógica surgiu ao ver algumas fotos com cores diferentes, defeitos que deixavam as fotos mais interessantes e após herdar de seu avô uma mala repleta de câmeras e objetivas.
Um belo dia, Lucena me liga e conta que comprou uma médio formato, um dos tipos de câmera mais desejado entre os fotógrafos, pela mudança estética da imagem por conta da pouquíssima distorção que suas lentes apresentam. Não demorou muito pra marcarmos uma data para estreá-la em estúdio na Criattiva.
Lucena trouxe um conceito de fotografia de moda interessante, inspirado nos anos 80 e em artistas como David Bowie. Convidei a ex-aluna e produtora de moda Rebeca Bugarin para assinar a produção de moda, que por sua vez, convidou a maquiadora Marianne Costa para assinar a beleza e a amiga Marina Nemesio como modelo.
Com esse time de peso, Lucena produziu suas fotos com uma câmera Mamiya RB-67, Filme Ilford DELTA 100 PB, vencido em 2016, uma lente 90mm f/3.8 e um flash Speedlite YN-565 conectado à um octabox e sincronizados através de um cabo PC adaptado com um cabo de ferro de passar roupa.
Cerca de 1 mês depois, meu xará mostrou-me o resultado escaneado. Além de uma das fotos ter sido o plano de fundo do meu celular nos dois meses subsequentes e eu fazer questão de mostrar pra todo mundo, essa é uma série que vira e mexe tenho que voltar pra apreciá-la.
Segundo ele, a maior dificuldade com as fotos foi acertar o ponto de foto, visto que a profundidade de campo era restrita e essa câmera não oferecia nenhum mecanismo para confirmação de foco. Além disso, por tratar-se de uma câmera de capuchão, a imagem aparecia invertida, dificultando a direção da modelo.
Fico orgulhoso em saber que de alguma maneira, como professor, contribuí para o resultado e para parte da formação desse aluno que tanto me ensina hoje em dia.
Sem mais delongas, deixo vocês aqui com o resultado final e parabenizo toda equipe pela excelente produção.
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